sábado, 16 de abril de 2011

jogos e brincadeiras


Brincar hoje nas escolas, está ausente de uma proposta pedagógica que  incorpore o lúdico como eixo do trabalho infantil.  Minha aproximação com a realidade do Brincar nas escolas, levou-me a  perceber a inexistência de espaço para o desenvolvimento cultural dos  alunos. Esse resultado, apesar de apontar na direção das ações do professor,  não deve atribuir-lhe culpabilidade. Ao contrário, trata-se de evidenciar o  tipo de formação profissional do professor que não contempla informações nem  vivências a respeito do brincar e do desenvolvimento infantil em uma  perspectiva social, afetiva, cultural, histórica e criativa. 
É rara a escola que invista neste aprendizado. A escola simplesmente  esqueceu a brincadeira, na sala de aula ou ela é utilizada com um papel  didático, ou é considerada uma perda de tempo. E até no recreio, a criança  precisa conviver com um monte de proibições, como também ocorre nos prédio,  clubes, etc. 
Há um bom tempo, as escolas dão o devido valor ao Brincar. Valorizar neste  caso, significa cada vez mais levar o brinquedo para a sala de aula e  Também munir os profissionais de conhecimentos para que possam entender e  interpretar o Brincar, assim como utilizá-lo para que auxilie na construção  do aprendizado da criança. Para que isso aconteça, o adulto deve estar muito  presente e participante nos momentos lúdicos. 
Quem trabalha na Educação de crianças deve saber que podemos sempre  desenvolver a motricidade, à atenção e a imaginação de uma criança. 
"O lúdico é o parceiro do professor". 
Em qualquer época da vida de crianças e adolescentes e porque não de  adultos, as brincadeiras devem estar presentes.  Brincar não é coisa apenas de crianças pequenas, erra a escola ao subsidiar  sua ação, dividindo o mundo em lados opostos: de um lado o jogo da  brincadeira, do sonho, da fantasia e do outro: O mundo sério do trabalho e  do estudo. Independente do tipo de vida que se leve, todos adultos, jovens e  crianças precisam da brincadeira e de alguma forma de jogo, sonho e fantasia  para viver, 
A capacidade de brincar, abre para todos: crianças, jovens e adultos, uma  possibilidade de decifrar enigmas que os rodeiam. A brincadeira é o momento  sobre si mesmo e sobre o mundo, dentro de um contexto de faz-de-conta. Nas  escolas isto é comumente esquecido. 
Observo então que na escola não há lugar para o desenvolvimento global e  harmonioso em brincadeiras, jogos e outras atividades lúdicas. Ao chegar à  escola a criança é impedida de assumir sua corporeidade, passando a ser  submissa através de horas que fica imobilizada na sala de aula. 
Sendo assim, para o aluno se auto-realizar é quando ele atinge seus  objetivos preestabelecidos com o máximo de rendimento e o mínimo de  investimento de energia. Então o conceito de auto-realização tem a ver com a  eficácia pessoal. 
Então quando o professor organizar suas atividades de aula, deve selecionar  aquelas mais significativas para seus alunos. Em seguida o professor deve  criar condições para que estas atividades significativas sejam realizadas.  Destaca-se a importância dos alunos trabalharem na sala de aula em grupos,  interagindo uns com outros, e este trabalho coletivo facilitará o próprio  auto-desenvolvimento individual. Cabe ao professor em sala de aula  estabelecer metodologias e condições para desenvolver e facilitar este tipo  de trabalho. A identidade do grupo tem como resultado a integração de  atividades mais amplas e profundas, como do tipo de liderança, respeito aos  membros, condições de trabalho, perspectivas de progresso, retribuição ao  investimento individual, compreensão e ajuda mútua, aceitação. São estas as  qualidades que devem ser trabalhadas pelos professores e este deve estar  atento principalmente ao componente com o qual o corpo dialoga através do  movimento: a afetividade. A afetividade é um valor humano que apresenta  diversas dimensões: amor, respeito, aceitação, apoio, reconhecimento,  gratidão e interesse. 
Brincadeira e aprendizagem são consideradas ações com finalidades bastante  diferentes e não podem habitar o mesmo espaço e tempo.  Isto não está certo, O professor é quem cria oportunidades para que o  Brincar aconteça, sem atrapalhar as aulas. São os recreios, os momentos  livres ou as horas de descanso. 
No entanto constata-se que é através das brincadeiras que a criança  representa o discurso externo e o interioriza, construindo seu próprio  pensamento. O adulto transmite à criança uma certa forma de ver as coisas.  Quando apresentamos várias coisas ao mesmo tempo, ou então por tempo  insuficiente ou excessivo, estamos desistimulando o estabelecimento de uma  atitude de observação. 
Se quisermos que a criança aprenda a observar, se quisermos que ela  realmente veja o que olha, temos que escolher o momento certo para  apresentar-lhe o objeto, motivá-la e dar-lhe tempo suficiente para que sua  percepção penetre no objeto. Teremos também que respeitar o seu interesse. 
Insistir quando a criança já está cansada é propiciar o aparecimento de  certas reações negativas. Aprender a ver é o primeiro passo para o processo  de descoberta. É o adulto quem proporciona oportunidades para à criança ver  coisas interessantes, mas é indispensável que respeitemos o momento de  descoberta da criança para que ela possa desenvolver a capacidade de  concentração. 
Assim como a criatividade da pessoa interage com à criança poderá torná-la  criativa, a paciência e a serenidade do adulto influenciarão também o  desenvolvimento da capacidade de observar e de concentrar a atenção.